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Política

A eleição passou. Quem vai pagar a conta?

As promessas conquistaram votos. Agora começa a parte mais difícil: transformar discursos em realidade.

Por Rafael Galvão

· 2 min de leitura

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Mão utiliza calculadora ao lado de notas de reais e contas sobre uma mesa

Durante meses, o Brasil assistiu a uma verdadeira disputa de promessas. Mais benefícios, menos impostos, crédito facilitado, investimentos, empregos e soluções para problemas que se arrastam há décadas.

Na campanha, quase tudo parece possível. O dinheiro aparece, as dificuldades desaparecem e o futuro é sempre melhor.

Mas a eleição acabou.

E, como acontece depois de qualquer grande festa, alguém precisa olhar para a conta.

Um relatório divulgado pela Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado, estimou que apenas parte das medidas anunciadas na campanha pode representar R$ 40 bilhões em impacto adicional nas contas públicas.

Quarenta bilhões de reais.

É muito dinheiro. Mas a questão não está apenas no valor. Está em algo que raramente recebe o mesmo espaço das promessas: de onde virão os recursos?

É fácil anunciar benefícios. Difícil é explicar como financiá-los sem comprometer outras prioridades.

E não se trata de ser contra programas sociais, investimentos ou incentivos econômicos. O Brasil precisa de tudo isso. A questão é saber o que cabe no orçamento, o que pode ser feito e o que terá de esperar.

Porque a matemática não muda depois da eleição.

Se o governo gasta mais do que consegue financiar de forma sustentável, precisa fazer escolhas. Pode rever despesas, buscar receitas ou ampliar o endividamento. Cada caminho tem consequências.

E quem acompanha essas consequências não é apenas o mercado financeiro.

É o empresário que precisa de crédito, o trabalhador que depende do emprego, o comerciante que enfrenta custos elevados e a família que tenta fazer o salário chegar ao fim do mês.

Aqui em Sergipe, a discussão também importa. Afinal, obras, investimentos, serviços públicos e oportunidades dependem de recursos e planejamento.

O curioso é que, durante a campanha, se pergunta muito sobre o que cada candidato pretende fazer. Mas quase nunca se insiste na pergunta mais importante: quanto custa e quem paga?

Talvez esteja na hora de mudar essa lógica.

Governar exige escolhas. E escolher significa, muitas vezes, admitir que não é possível fazer tudo ao mesmo tempo.

As urnas deram seu recado. Agora, o governo e o Congresso precisam mostrar como pretendem transformar os compromissos assumidos em resultados concretos.

Porque prometer é uma decisão política. Cumprir exige responsabilidade.

E a conta, de um jeito ou de outro, sempre chega.

Leia também a cobertura de Política no SE360.

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